
A Arte Sonora esteve presente na masterclass de bateria dada por Alexandre Frazão, na Escola de Jazz do Barreiro, após a qual entrevistou o reconhecido baterista sobre o seu percurso no instrumento. Testemunhámos algumas das suas experiências, tal como o seu próprio carácter e relação, não só com o instrumento, mas também com a música.
Antes de entrar para a sala, onde iria decorrer a masterclass com Alexandre Frazão, sentia uma certa ansiedade, resultado da admiração que tenho por este músico e pelo reconhecimento que ele próprio recolhe. Foi uma ansiedade sem fundamento ao contactar com alguém sempre disposto a responder a todas as perguntas, mas tentando sempre fazer-nos pensar ao invés de dar respostas directas – referindo que prefere criar a dúvida em vez de dar "receitas".
A tocar mostrou a versatilidade, imaginação e técnica que possui, ao mesmo tempo que exortava recorrentemente os presentes a "procurar a sua cena", não tentar, simplesmente, imitar alguém. Falou sobre a música como algo etéreo, algo que temos de sentir para interpretarmos na bateria. Muitos exemplos e muita conversa, durante mais ou menos três horas, com alguém muito acessível. Um grande músico com uma imaginação surpreendente no set da bateria (por exemplo, numa das vezes que tocou soprava num tubo ligado à saída de ar do timbalão de chão para variar o som).
E deixou um recado geral: estudem sempre com metrónomo e ofereçam um a todos os amigos músicos! Tudo o que se viu ali é trabalho de muitos anos e de muita dedicação, tirando completamente a ideia a alguém que pense que para tocar bem bastaria tomar um comprimido. O que é certo é que uma pessoa saiu dali ainda com mais vontade de estudar.
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Artigo completo na Arte Sonora nº 14 (Janeiro/Fevereiro 2010)
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