Orelha Negra
Orelha Negra


Meifumado

2017-09-15

8 por António Mauricio
  •  
  • 0
  •  

Sam the Kid, Francisco Rebelo, DJ Cruzfader, João Gomes e Fred Pinto estão de volta com o seu terceiro álbum de originais. Instrumentais progressivos e inesperados parece ser a descrição perfeita. Cada membro entra nas composições apenas quando é necessário, exercendo participação de forma moderada e controlada, evitando uma saturação de sons e criando instrumentais certeiros e com caminhos bem definidos. As músicas são desenvolvidas em camadas e revelam-se auto-suficientes na expressividade emocional. São complexas e muitas vezes apanham-nos desprevenidos. Claro que grande parte desta magia, o “efeito surpresa”, desaparece depois da primeira audição, mas a grandiosidade da música não. Além do mais, ao terceiro álbum ainda serem capazes de gerar esse efeito mágico é assinalável e prova, se necessário fosse, o nível criativo de elite do projecto.

Há diversidade. Há música calma e suave. Há música rápida e mexida. O álbum é diverso, mas nunca abandona o espectro musical do grupo. Os samples de Sam The Kid são a cereja no topo destes instrumentais. Servem para salientar o sentimento que desde logo intuimos na música. São certeiros e dão-nos certezas. O sample utilizado em “Skylab” parece ter sido feito, originalmente, para ser utilizado ali. Encaixa sem espinhas e conduz a canção de forma natural. Quase como se fosse um vocalista.

O terceiro álbum de Orelha Negra é mais um tremendo exercício musical de estilo híbrido e maleável.

Olhando especificamente alguns temas, a guitarra em “Santa Ela” destaca-se pela subtileza e pela marca que deixa ao longo dos 4 minutos da faixa. Aparece só quando sentimos a falta da sua sonoridade. Talvez seja esse o segredo. “Apolo 70” é outra ocasião onde as notas de guitarra se destacam (sensivelmente a partir de metade do tema) e têm um papel essencial. Em “Ready” ficamos com a sensação que a faixa vai explodir depois dos primeiros segundos, graças ao tom motivador da sample e da bateria rápida. Mas somos agradavelmente surpresos por uma faixa calma. Por pouco tempo. Porque a intensidade aumenta de um momento para o outro, repentinamente, até chegarmos a mais um break que volta a mudar o groove. Se “A Sombra” utiliza 6 minutos para ir desenvolvendo a mesma ideia e a mesma sonoridade, ao acrescentar e retirar elementos, “Ready” é um verdadeiro carrossel, no qual são misturados vários ritmos que fluem de forma espontânea.

“Parte De Mim”, encerra o álbum como uma suma do estilo híbrido e maleável dos Orelha Negra. É uma mistura entre um beat de hip-hop e um instrumental de rock progressivo. Tem tudo para não resultar, mas resulta. A faixa balança com eficácia entre estes dois estilos numa equação bastante frágil e que nos deixa mais uma vez agradavelmente surpreendidos. Um final digno.

Já disponível em pré-venda, aqui.

LOOP

A Sombra
Skylab
Santa Ela
Ready

Ficha técnica

05/09/2017 António Mauricio

Array
(
    [post_type] => Array
        (
            [0] => hot_gear
            [1] => breve
            [2] => featured
        )

    [posts_per_page] => 3
    [post__not_in] => Array
        (
            [0] => 70383
        )

    [orderby] => rand
    [tag__in] => Array
        (
            [0] => 2355 
            [1] => 3749 
            [2] => 8463 
            [3] => 4231 
        )

)
  IR PARA O TOPO